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Tecnologia Varejo Varejo online

3 tecnologias para aumentar a produtividade no varejo de alimentos

Redução das filas, otimização do estoque e desburocratização das atividades de escritório são possíveis. Saiba como!

Alto giro, perecibilidade dos produtos e dependência do segmento de distribuição. Essas são algumas das características do varejo de alimentos, setor de extrema importância para a economia nacional e para as famílias brasileiras. Sem uma cadeia produtiva com um elo forte no final, a distribuição de alimentos seria um desafio caótico em um país continental como o Brasil. O autosserviço alimentar brasileiro se subdivide em 12 categorias de lojas que oferecem diversos tipos de produtos. Algumas são lojas de baixa complexidade, outras operam com milhares de produtos que incluem até eletroeletrônicos. “Quando pensamos nas cadeias produtivas, ressaltamos o papel dos distribuidores que exercem o papel de ligação entre os produtores e os consumidores. Nesse caso, tanto o varejo supermercadista, como o atacado, mas também o setor de alimentação fora do lar se destacam”, explica a professora Caroline Spanhol, mestre e doutora em agronegócio.

O varejo de alimentos vem sofrendo com a crise econômica, apesar de ser um setor que comercializa itens de necessidade básica. De acordo com um levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), nos primeiros meses de 2016 foram fechadas 14 mil lojas no Brasil – 12 mil a mais do que no mesmo período de 2015, quando apenas 2,4 mil pontos de venda fecharam as portas. Um dos fatores que podem aumentar a competitividade é a inovação tecnológica.

Alimentação saudável

Na outra margem, o comportamento do consumidor apresenta sinais inequívocos de mudança. A busca por praticidade aliada à alimentação saudável aumenta à medida em que os consumidores exigem transparência em relação aos alimentos que consomem. “Os consumidores estão reconhecendo o valor dos alimentos como um remédio apra prevenir e administrar as preocupações com a saúde”, lembra o consultor de varejo Antonio Carlos Ascar em análise para a Associação Brasileira de Supermercados (Abras). “Em linhas gerais, os consumidores tem buscado alimentos saudáveis, frescos, orgânicos e marcas cujos valores se alinham com os seus. Além disso, destacam-se também o aumento do segmento de consumidores que adotam uma dieta baseada em alimentos sem glúten ou lactose e ainda os veganos”, conta a doutora. “Em maior ou menor grau, o varejo supermercadista tem se atentado para isso. O surgimento do varejo especializado na oferta desses produtos, evidencia essa questão”, acredita. De acordo com um estudo da Nielsen Perishables Group, os norte-americanos, famosos pelo alto consumo de alimentos fast-food, estão mudando a dieta. A pesquisa aponta que 64% estão tentando consumir alimentos mais saudáveis, e 60% afirmam que a qualidade da comida é mais importante do que o preço. “Dadas as tendências recentes, não é de surpreender que as comidas frescas estão desempenhando um papel importante na maneira como os clientes buscam atingir seus objetivos – e os varejistas estão ajudando-os a colher os benefícios”, indica o resumo executivo do estudo. No Brasil, a Associação Paulista de Supermercados (APAS) realizou um levantamento junto aos lojistas para saber a variação no volume de vendas de determinados produtos. A conclusão é que os brasileiros também estão buscando uma alimentação mais saudável e não se importam em gastar mais por isso. Para 49% dos entrevistados, a saúde é uma das maiores preocupações, o que se revela nas vendas de refrigerantes, que recuaram 5%, enquanto a de água de coco aumentou 11%. Já as margarinas tiveram queda de 1,2%, ao passo que a venda de manteigas aumentou 10%.

Tecnologia

Tudo isso sem abrir mão da praticidade. Tendências mobile também já podem ser incorporadas ao varejo de alimentos, a exemplo dos modelos de beacon, tecnologia não tão recente, mas que pode proporcionar uma boa experiência de compra ao ligar o consumidor ao sistema da loja. “Sobre isso, destaco as palavras de Rubens Panelli Júnior de que a mobilidade no varejo é uma questão de sobrevivência: ‘muitas são as possibilidades proporcionadas por essas inovações, não apenas em relação às vendas fora da loja, mas também para a gestão e oferta de novas experiências ao cliente'”, cita Spanhol. Outras tecnologias apresentadas na NRF Show 2017 demonstram aplicações inéditas da tecnologia no varejo – como, por exemplo, câmeras que identificam os itens ainda no carrinho de compras e envia as informações do produto para o ponto de venda. “O varejo atualmente exerce grande poder de negociação junto aos seus fornecedores em virtude do volume de suas compras, além da influência que exerce nas escolhas dos consumidores. Assim, as TICs têm papel fundamental no gerenciamento, tanto com os fornecedores, como com seus clientes”, ressalta Spanhol. No entanto, a professora lembra também que o varejo brasileiro convive com problemas básicos. Para ela, o pequeno varejo ainda sofre com problemas relacionados a automação comercial e questões de mobilidade. “Além disso, enfrentam problemas de escala e de capital de giro, o que pode implicar em uma oferta limitada de produtos aos clientes, fato que pode impactar negativamente nos níveis de satisfação e fidelidade”, diz. Confira abaixo três tecnologias que já estão há algum tempo no mercado e que podem ajudar os varejistas a impulsionarem as vendas.

1. Self-checkout

“O autosserviço já uma realidade em muitos países, tanto no varejo supermercadista como em outros setores”, diz a professora. A principal vantagem do modelo é reduzir os custos operacionais, já que apenas um trabalhador pode operar vários pontos de autosserviço, bem como aumentar a eficiência e diminuir as filas. O sistema é bem avaliado por varejistas para pequenas compras. No Brasil, os primeiros caixas de supermercado com self-checkout foram instalados em 2012, em um varejo localizado em Londrina, no Paraná. A operação funciona de maneira semelhante, mas é o próprio cliente quem aponta o código de barras para o leitor e faz a pesagem das frutas. A redução no tempo de atendimento foi de 20%. Novas soluções nesse sentido continuam a chegar ao mercado. Produtos mais modernos são capazes de fazer a leitura do código de barras com os produtos na esteira, independente da posição em que o item esteja, o que promete uma maior economia de tempo. Há o outro lado da história. A rede de supermercados norte-americana Albertsons decidiu remover os terminais de autosserviço após perceber que as máquinas começaram a trazer mais prejuízos do que benefícios. Além de retomar o contato humano entre clientes e caixas, a ideia era acabar com os problemas referentes à eficiência dos equipamentos: em não raras ocasiões, o terminal não conseguia efetuar a leitura do código de barras. E o problema se agrava, porque os clientes não devolvem a mercadoria, eles literalmente furtam. De acordo com o New York Times, um estudo internacional avaliou 12 milhões de operações de compras em self-checkouts – cada item corresponde a uma compra – ao longo de dois anos e descobriu que cerca de 850 mil itens não foram escaneados. A pesquisa sugere que o self-checkout não apenas estaria vulnerável aos furtos, mas estimularia os clientes a praticarem o delito. Outra pesquisa, realizada pela Vouchers Code Pro junto a consumidores, apontou que 20% dos entrevistados já haviam roubado itens no self-checkout. Destes, 60% disseram que praticaram o crime porque os produtos não foram escaneados pela máquina. Algo que deveria tornar as coisas práticas e eficientes, tanto para o varejista quanto para o cliente, pode ser um tiro no pé. Portanto, é importante que o varejista, caso queira implementar a solução, treine ao menos um funcionário para operar os aparelhos e fiscalizar as filas de self-checkout, além de garantir que as medidas de segurança, como câmeras, permanecem ativas. De toda forma, é uma solução mais indicada para pequenas compras.

2. Gestão de estoque

O desperdício de alimentos é um problema sério no mundo inteiro. De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), 1,3 bilhão de tonelada de alimentos é desperdiçado no mundo inteiro, o que representa cerca de um terço da produção global. São contabilizadas as perdas ao longo da cadeia produtiva, mas cada economia tem um comportamento diferente: em países desenvolvidos, onde há mais indústrias, o desperdício ocorre nas etapas iniciais, enquanto nos países pobres se concentra nas etapas finais da cadeia – varejo e consumo. As perdas representam mais do que apenas o alimento em si. Há um impacto econômico e social: para a produção de frutas e verduras, usa-se terra, água, horas de trabalho, energia, defensivos agrícolas, tecnologias – para irrigação, por exemplo – e adubo. Para produzir carne, sobretudo bovina, o impacto ambiental é bem superior. Boa parte da produção de soja, uma das culturas mais responsáveis pelo desmatamento, é destinada à alimentação do gado. Mesmo com o alto volume de desperdício, a fome ainda fustiga. “O que realmente devemos pensar agora é em como reduzir o desperdício de determinados produtos, sobretudo de frutas, legumes e verduras (FLV). Algumas iniciativas já estão sendo observadas no campo da biotecnologia e no processamento dos FLV’s, como o caso dos minimamente processados e dos congelados”, observa Spanhol. O agronegócio é uma das principais frentes de combate ao problema do desperdício de alimentos. Porém o varejo tem o seu papel quando se trata da gestão do estoque – é sempre bom enfatizar que, ao reduzir o desperdício, as empresas podem aumentar as margens de lucro e ganhar competitividade no mercado. Uma pesquisa do Programa de Administração do Varejo (Provar/FIA) aponta que os supermercados lideram quando o assunto é desperdício: as perdas no setor são 63% superiores às do segmento de materiais de construção, o segundo colocado no ranking. “O Brasil está entre os dez principais países que mais perdem e desperdiçam alimento. Estamos falando da cadeia de perda e de desperdício. Perda que tem a ver com a colheita, a pós-colheita, com a distribuição e o desperdício que já vem no final da cadeia, que é no varejo, no supermercado e com o hábito do consumidor”, afirmou Viviane Romeiro, coordenadora de Mudanças Climáticas do World Resources Institute (WRI) Brasil, em entrevista à Agência Brasil. O mesmo estudo aponta que a quebra operacional – danos nas mercadorias provocados por movimentação e acondicionamentos inadequados – respondem por 33% das perdas no varejo mercadista. Essa categoria supera inclusive os furtos externos (21%), furtos internos (13%) e erros administrativos (13%). Todas essas perdas são concentradas no estoque. O controle do estoque deve ser feito por meio de fichas, mas, com o aumento da produção e do giro de mercadorias, pode se tornar inviável fazer o processo manualmente. Existem no mercado coletores de dados portáteis que podem ajudar a reduzir o tempo gasto na conferência de mercadorias tanto no estoque quanto nas prateleiras. Além disso, são equipados com bluetooth, podendo ser integrado ao sistema da loja. Dessa forma, todas as operações são automáticas, o que reduz o trabalho, diminui os desperdícios e aumenta a competitividade do negócio. Uma estimativa da Automatech estima que, numa loja com 10 mil itens, apenas o controle de relacionamento com os fornecedores – conferência de mercadorias com coletores de dados – evitaria uma perda estimada em 120 itens. Pode parecer pouco, mas é preciso lembrar que poucos produtos representam a maior parte das vendas. Ao controlar essas perdas, a loja ganha competitividade e poder de barganha junto aos fornecedores. A empresa calcula que, a cada 10 supermercados pequenos, quatro não utilizam coletores de dados.

3. Certificado digital

Ao longo da história, os contratos foram ganhando cada vez mais importância. Apertos de mão e palavra de confiança há muito tempo deixaram de ser percebidos como instrumentos jurídicos. Teóricos como Thomas Hobbes inclusive defendiam que a vida em sociedade, amalgamada de forma organizada em um Estado, dependia de um “contrato social” firmado entre seus cidadãos. Esse contrato se manifesta em regras e leis. Quem é empresário sabe que tudo o que se faz, qualquer operação de compra e venda, deve ser firmada nos termos de um contrato. Com a globalização e o consequente aumento da escala e da produtividade, a burocracia fica cada vez mais sufocante. Para reduzir a papelada e desobstruir os trabalhos das empresas, foi desenvolvido o certificado digital, que consiste em uma criptografia que tem o mesmo valor jurídico de uma assinatura manual. “O certificado digital pode ser usado para assinar documentos sem papel e caneta, como contratos, procurações, recibos, aceites, entre outros. Isso porque a cada uso é gerada uma assinatura digital com valor jurídico semelhante ao da assinatura manuscrita”, explica Leonardo Gonçalves, diretor de Varejo e Canais da Certisign. Nas relações com a Receita Federal, o certificado digital já é obrigatório. Mas a tecnologia também pode ser utilizada nas relações com fornecedores, ajudando a aumentar a eficiência e reduzir os custos operacionais. Como os processos circulam no meio eletrônico, não há necessidade de se utilizar papel, reduzindo a demanda por espaço físico e deslocamentos. Com o desenvolvimento das tecnologias mobile, o uso do certificado digital se torna ainda mais eficiente, já que pode ser gerenciado a partir de smartphones ou tablets. No entanto, o varejista deve ter cautela ao contratar e utilizar um serviço de certificado digital, sobretudo em relação à segurança. A empresa que oferece a tecnologia deve ser homologada pela Receita Federal, caso contrário o varejista poderá não ser habilitado a usar o certificado no envio de obrigações acessórias ao governo – além de contratar um produto de qualidade inferior. A senha de acesso deve ser mantida em sigilo, o sistema operacional deve ser atualizado para evitar vulnerabilidades e, em caso de uso de máquinas compartilhadas, o empresário deve utilizar recursos de proteção adequados.

Conclusão

O investimento em novas tecnologias para o varejo não deve ser visto como um gasto ou luxo desnecessário. As exigências do consumidor e a demanda do mercado – tanto dos concorrentes quanto dos fornecedores, produtores e investidores – pressionam o varejista a aplicar inovações tecnológicas em suas lojas e gerar valor sem que a escala de custos aumente na mesma proporção. “A entrega de valor superior ao cliente é um dos desafios enfrentados pelos gestores”, afirma Spanhol. “O valor pode ser compreendido como a relação existente entre os benefícios e os custos envolvidos na aquisição de bens e serviços”, considera. Em um ambiente de crise, onde os consumidores se dedicam cada vez mais à pesquisa de preços – porém não hesitam em gastar mais por motivos de saúde ou conveniência –, a diferenciação tecnológica é fundamental.

Autor: Eber Freitas